Publicamos, em diferentes edições, textos que abordavam a relação entre Yoga e meio ambiente. Nesta edição, inspirados pelo dia do Yoga (22 de setembro), que é também a entrada da primavera e o dia mundial sem carro, damos ênfase especial ao assunto. Trazemos artigos, uma entrevista e dicas de livros que mostram a importância de se levar uma vida de cuidado e respeito com a natureza como parte integrante da prática de Yoga.
Hoje em dia o Hatha Yoga é a principal porta de entrada para o Yoga. As pessoas são levadas à prática por diferentes disposições: encontrar saúde, melhorar concentração, encontrar paz, melhorar rendimento no esporte. Todas as buscas são válidas, pois dentro do Yoga há algo muito maior a ser descoberto, muito mais profundo e fundamental do que o motivo que nos levou a procurá-lo. Essa é a descoberta de nós mesmos, da nossa natureza essencial.
Dentro do caminho do Yoga muito falamos de um mergulho, uma viagem interior. Realmente há uma descoberta interior no sentido de um reconhecimento de si mesmo. Porém, intrínseca a essa descoberta, está a percepção da não-separação. Faz parte do caminho do Yoga o reconhecimento de não diferença entre o Si Mesmo e o Todo. Assim, quanto mais aprendemos sobre nós mesmos, sobre a nossa mente, o funcionamento do nosso corpo, mais aprendemos sobre a natureza humana. E não apenas sobre a natureza humana, sobre a natureza como um Todo
Vemos que estamos totalmente interligados uns com os outros, e todos com a Terra. Existe uma interdependência e inter-relação fundamental entre todas as nossas ações conscientes (movidas pelo nosso intelecto) e inconscientes (processos biológicos, ações não deliberadas). E a percepção de que os resultados das minhas ações têm efeito não apenas sobre mim mesmo, mas também sobre os demais e sobre toda a natureza revela-nos a importância de seguirmos uma conduta ética.
Diferente dos animais, o ser humano tem privilégio de escolha das suas ações. Esse livre arbítrio é o que nos possibilita a liberdade definitiva (moksha) mas é também o que pode ser prejudicial para si mesmo e para os outros. Seguir uma conduta de valores yogis é ser o menos nocivo possível consigo e com todos os outros seres. E a motivação de se seguir essa ética nasce da compreensão de que o prejuízo que causamos ao outro ou a natureza é um prejuízo que causamos a nós mesmos. Então, o mesmo cuidado que temos conosco numa prática de Hatha Yoga, devemos ter com os outros e com o meio ambiente numa vida de Yoga.
Boa leitura,
Harih Om tat sat